Você sabia que...
A origem da palavra café é bastante discutível.
Pode ser originária da região de Kaffa, na Abissínia, por ser também originária do árabe Karah ou Gavah que quer dizer vinho, ou então
Kahwah ou Cahue que significa força: ou pode ainda ter origem no idioma turco, de Koveh ou Kaveh e daí café.
Os árabes detiveram o monopólio do café por 200
anos e neste período apareceram as primeiras restrições ao consumo, como bebida contrária as leis de Maomé.
A primeira casa de café foi aberta em 1554, em
Constantinopla e tornou-se ponto de reunião de sábios e intelectuais.
No século XVI, diversas casas de café são
abertas no Cairo (Egito), e tornaram-se ponto de reunião de e intelectuais. Daí surgiram outras restrições, uma vez que a freqüência aos
cafés atrapalhava a freqüência às mesquitas.
No século XVII, o café chega ao porto de Veneza,
de Marselha e a Londres, onde recebe também restrições pela concorrência ao consumo de chá e de cerveja.
Casas de Café em Paris, dentre elas o Café de la
Regence, ficaram bastante conhecidas por ser ponto de encontro de personalidades famosas como Voltaire, Rousseau, Richelieu, e outros.
Para as inglesas do século XVII o café era o licor
debilitante que tornava seus maridos infecundos e inúteis. De cochicho em cochicho, a crença descabida de que a bebida trazida do Oriente
causava a esterilidade e reduzia o desejo sexual fortaleceu-se entre as mulheres.
Em 1674, o preconceito alcançou requintes de exagero
no panfleto: A Petição Feminina Contra o Café, que apregoava os malefícios da "água suja, nauseante, amarga e escura". O tempo passou, os
argumentos mudaram, mas o café continuou a ser visto com desconfiança em certas rodas.
Em 1706, o café plantado no jardim botânico de
Amsterdã, deu origem por duas vias aos cafezais da América. Por uma via, foi levado a Paris e de lá para a Ilha de Martinica, espalhando-se
pela América Central, México e Colômbia, ou então para a Guiana Holandesa, hoje Suriname, daí para a Guiana Francesa.
O café chegou ao Brasil em 1727, quando foi trazido
pelo sargento Francisco de Melo Palheta, tendo suas sementes sido plantadas no Pará.
Do Pará, o café é levado ao Maranhão, e, a seguir,
aos Estados vizinhos e à Bahia. Em 1783, do Maranhão ao Rio e Janeiro e por volta de 1825, o café é plantado no Vale do Paraíba, região de
Taubaté e Areias e no sul de Minas, Zona da Mata e Espírito Santo.
O hábito de misturar leite ao café teve origem na Alemanha. Em 1680, instalou-se em Hamburgo o primeiro café para venda da mistura ao público.
O café vienense, apreciado no mundo inteiro, surgiu por um golpe do destino. Ocupada pelos turcos, Viena foi cercada pelas tropas libertadoras. Sem possibilidade de enfrentá-las, os turcos abandonaram a cidade às pressas, deixando entre seus despojos algumas sacas de um produto desconhecido, inicialmente confundido com forragem para animais. Frans George Kolschitzky conhecia bem o café por ter vivido no Oriente e apreciava seu sabor. Apoderou-se das sacas e começou a comercializar o produto, ao qual juntou açúcar e creme chantilly. Nascia, assim, o tão apreciado café vienense.
Existem duas variedades de grãos: o Arábica e o Robusta Africana, conhecido no Brasil como Conillon. A combinação dos dois tipos conquistam os mais variados paladares. O Brasil é o maior produtor mundial do produto, com cerca de 25% do total produzido.
Há centenas de anos, acordos de paz, cerimônias de coroação de reis e califas eram regados a café. Hoje o café é uma bebida universal. Sem dúvida, é a bebida mais popular do mundo. Onde quer que você esteja, se pedir "café" , receberá uma xícara fumegante com uma bebida deliciosa. Na Europa, as primeiras casas de café eram chamadas de Escolas de Sábios, onde, sorvendo lentamente o café, os estudiosos discorriam sobre os últimos poemas ou relembravam fábulas e lendas até alta madrugada.
A condição geográfica ideal para a produção de café são as regiões serranas, onde de dia as temperaturas são elevadas e à noite faz frio. A região onde ele é produzido também é fator determinante do sabor do café. Tão importante quanto região são os tratos, o cuidado que o café recebe, desde o momento que ele é plantado até a colheita e a secagem. tudo interfere na qualidade. Café é muito especial. Como um bom vinho, um bom queijo, o café é submetido a forma de classificação.
A arte, a cultura e os amantes do café.
Johan Sebastian Bach (1685-1750), abandonou por um curto tempo o rigor da música
litúrgica e dedicou-se a compor uma cantata profana em honra do café. Em 1732, pediu ao poeta Picander um texto para a cantata. Desta aliança
surgiu a célebre Coffea Cantata BWV2ll.
Voltaire (1694-1778), gênio entre os gênios, sem dúvida teve uma paixão alucinada
pela bebida. A sua devoção reflete-se em várias obras: "Cândido", "O Dicionário Filosófico", "A Escocesa", onde menciona com freqüência sua
bebida favorita.
Jacques Delille (1738-1813) disse sobre o café: "Tu divino café, cujo amável licor
sem alterar a mente, alegra o coração".
Talleyrand (1754-1838), fez os seguintes versos dedicados ao café: "Café / Negro
como o diabo / Quente como o inferno / Puro como um anjo / Doce como o amor".
Carlos Drumond de Andrade (1902-1987), assim disse sobre esta grande interação que
existe ente o agricultor e o café, nas horas de trabalho duro, assim como nos momento de folga: "Mãos calejadas colhem vermelhas / bagas
luzidias que amanhã serão / delícia e hora de papo".
Cândido Portinari (1903-1962), teve o café como um dos temas principais de sua
obra, retratando em suas telas os tratos na lavoura, principalmente a colheita.
Informações extraídas do livro:
A Qualidade do Café e Opções para o Consumo
Vários autores - EPAMIG - 2000
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